a dor não cabe na palavra no gesto no toque na expressão não cabe no banheiro fechado no cantinho solitário não cabe no silêncio na lágrima que sai na frente nas outras que vão atrás e juntas passam por aqui não cabe nem com jeitinho nem de qualquer jeito não tem caixa mala mochila bolsa garrafa cilindro gaveta armário pasta a dor não cabe no peito ela escorre suas vísceras transborda sem limites inunda tudo a dor não cabe no exorcismo na purificação do dia seguinte no abraço da cura não cabe nos porquês nos protocolos nas assinaturas nas permissões nas medições a dor não cabe nesse adorno nem na saudade Dio
CANAL POHERESIA
"Será sempre difícil exercer, de forma ao mesmo tempo nobre e frutífera, a condição de homem de letras sem se expor à difamação, à calúnia dos impotentes, à inveja dos ricos (...), às vinganças da mediocridade burguesa" (Charles Baudelaire) / "Ciranda do céu, rave de tambor" (Baco Exu do Blues)