Não tenho tanta afeição assim pela humanidade Nem que eu fosse a melhor pessoa do mundo Alguém muito bem remunerado Querido pelos meus pares Admirado por desconhecidos que me param na rua Nem assim a humanidade teria cinco minutos da minha atenção Dessa cara-metade virada pro muro das posses acumulativas Talvez eu salvasse uma meia dúzia de dois ou três O resto eu quero mais é que queiram menos Menos bem menos muito menos menos mesmo Quase nada que não seja humanamente necessário Me faça esse favor em agradecimento Parcela agonizante cadavérica putrefata O cheiro que vem de longe Não me entenda mal Não te desejo mal Eu quero é festa no dia da nossa extinção Dio
"Será sempre difícil exercer, de forma ao mesmo tempo nobre e frutífera, a condição de homem de letras sem se expor à difamação, à calúnia dos impotentes, à inveja dos ricos (...), às vinganças da mediocridade burguesa" (Charles Baudelaire) / "Ciranda do céu, rave de tambor" (Baco Exu do Blues)