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o dia seguinte

eles estão entre nós  estão em todos os lugares parecem com a gente parecem tanto com a gente  que nem desconfiamos  e quando descobrimos  ah, quando descobrimos  curtem um escândalo  adoram uma rachadinha  têm tesão num cercadinho  num congresso de enxofre  mais 21 anos de 64 mais uma pandemia catástrofes atribuídas aos outros  culpa do pt, da esquerda, do lula do comunismo, da doutrinação  gostam dum antissistema  duma república miliciana  dos estados unidos do brasil  sem ciência, sem vacina, sem sus mas com saneamento básico  pro aquecimento global  aprovam mulher na cozinha  sinal verde pra mão em riste pro retorno ao mapa da fome  pra fila do osso por menos institutos federais  e mais clubes de tiro  desejam o rico mais rico o fodido mais fodido piscam pra escala 7x0 riem pra precipícios  fronteiras e distanciamentos  chamam o fascismo de outro nome  trocam o diálogo ...
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parceria

a dor não cabe

a dor não cabe na palavra  no gesto no toque na expressão  não cabe no banheiro fechado no cantinho solitário não cabe no silêncio  na lágrima que sai na frente nas outras que vão atrás  e juntas passam por aqui  não cabe nem com jeitinho nem de qualquer jeito  não tem caixa mala mochila  bolsa garrafa cilindro  gaveta armário pasta  a dor não cabe no peito ela escorre suas vísceras  transborda sem limites  inunda tudo  a dor não cabe no exorcismo na purificação do dia seguinte  no abraço da cura  não cabe nos porquês  nos protocolos  nas assinaturas  nas permissões  nas medições  a dor não cabe nesse adorno  nem na saudade  Dio

vento

vem tô aqui mas o vento não trará você  a não ser que o vento que venta a lenta espera  vente rente à minha janela  vem tô esperando mas o vento não trará você  a não ser quando o vento que sopra embora no breu sopre nobre o que é meu o vento não trará você  mas vem tá? Dio

incandescente

veja nos olhos do Fogo o alcance das imagens turvas  oriundas do âmago invocado  pelas alucinações desarticuladoras  um quarto na língua da Serpente  alarga o raio de ação  a imaginação brota do ventre que cospe larva  placenta incandescente de mil faíscas vivas formigam almas cambaleantes  cometas-borrões irrastreáveis pegam pela mão e levam para voar  no céu vermelho da antevisão  pupilas saltam no sereno  queimam sob o Manto Maior Dio 

fotopoema

Carrossel Desesperança

Não tenho tanta afeição assim pela humanidade  Nem que eu fosse a melhor pessoa do mundo  Alguém muito bem remunerado Querido pelos meus pares  Admirado por desconhecidos que me param na rua  Nem assim a humanidade teria cinco minutos da minha atenção  Dessa cara-metade virada pro muro das posses acumulativas  Talvez eu salvasse uma meia dúzia de dois ou três  O resto eu quero mais é que queiram menos Menos bem menos muito menos menos mesmo Quase nada que não seja humanamente necessário  Me faça esse favor em agradecimento  Parcela agonizante cadavérica putrefata O cheiro que vem de longe  Não me entenda mal  Não te desejo mal Eu quero é festa no dia da nossa extinção  Dio