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Um quase quem sabe

Estou de volta a minha antiga casa
Já mais velho num tempo qualquer
Há festa, pessoas e som alto
Giglio e eu conversamos no sofá
Ao lado, uma menina não nos dá bola
Falo sobre a próxima apresentação do Circunlókios
Um lugar em Resende 
"Seria uma boa", digo
Giglio faz cara de assustado e retruca
"Você sabe que lá é terreiro da pesada, né? Tem problema?"
"Não, nenhum"

Giglio levanta
Começa a dançar
Não a dança de quem sabe dançar
Mas a dança de quem está feliz
Muito feliz
Eu explico
"Tem que avisar o pessoal lá, Giglio, que nossa apresentação tem violão e o violão não é só ritmo, mas melodia também e blá blá blá"

E Giglio dança
E dança
E dança

E eu explico
E explico
E explico

Um relâmpago se manifesta 
Giglio para de dançar
Eu paro de explicar
"Viu? É um sinal", comento

Logo vem o trovão
Um clarão bem ao lado
O vento entra pela janela 
Varre o que encontra 
Eu vejo tudo explodir
Janelas, quadros, espelhos
TVs, celulares, computadores

Sou arremessado 
Olhos esbugalhados
Tímpanos estourados 

Sou arremessado 
Eu grito o desespero
Eu sou minhas últimas horas 

Eu vivo meu fim

Sou arremessado
Ao inferno 
Ao fogo que esfria a espinha
Paralisa o corpo 
E antes de cair
Vocês me seguram pelo braço 

Eu quase te acordei, Morgana
Eu quase te liguei, Giglio

Eu sou um quase quem sabe
Indo e vindo no vai que


Dio




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